Morrendo por inanição ou mutismo seletivo

Geral, Política, Sociedade

Em primeiro lugar se está ruim no Brasil hoje (onde a solução para esta parada dos caminhoneiros é de curtíssimo/curto prazo – mas deveria ser uma solução de longo de prazo), imagina na Venezuela onde talvez, e se for possível, a solução para o desabastecimento geral será no longuíssimo prazo.

De fato, é bom também para a população ver e sentir na pele a dificuldade de uma verdadeira crise prática – que é o desabastecimento. A crise econômica supera-se, é ciclo (ou deveria ser). Agora, faltar produtos essenciais, e até mesmo o supérfluo, o furo é mais embaixo.

É bom por qual motivo? É bom para darmos valor a pequenas coisas, para darmos valor a pessoas que muitas vezes não vemos ou ofendemos sem motivo. É bom para termos consciência de qual governos merecemos ter e o que deveríamos ter. É bom para entendermos que linha econômica/estrutural/política precisamos ter para o Brasil fazer justiça a posição de economia mundial hoje ocupada por nós.

Antes que me critiquem por estar hoje em uma empresa pública (sou celetista com CLT e não estatutário), penso que se o Estado tiver empresas públicas, elas devam ser integradas a economia e lucrativas. E assim deve ser nossa economia. Motivada a ser lucrativa, investidora e com empregos.

A greve é perfeita e totalmente plausível.

Mostra que erros do passado na infraestrutura e no modal de transportes, hoje nos penalizam por evidenciar que o país não fez nada para que os caminhoneiros tivessem condições de trabalhar. E o contesto de incompetência com o uso dos altos e errados impostos, e da discriminada corrupção sistêmica, deixaram o país com um alto passivo e custo. Estar no Brasil é caro. Paga-se mal e caro. Sim, os impostos estão errados, alíquotas equivocadas, e voltando ao assunto do paragrafo, o Estado não faz por merecer tanto poder e dinheiro. O custo Brasil, é pago duplamente.

Então, vamos esperar o país morrer por inanição ou mutismo seletivo?

 

União sindical

Intercâmbio, Política

Em primeiro lugar os argentinos possuem um senso de coletividade elevado. As vezes isso se repercute na construção de grupos de amizade resistentes a outros indivíduos. Porém, não é de se negar também que a mobilização sindical é maior em relação ao Brasil atual. Os Argentinos sindicalizados dão muita dor de cabeça para os governos, de produtores rurais a caminhoneiros, todos lutam por seus direitos e por seus objetivos.

A dias antes de voltar ao Brasil a Argentina quase entrou em colapso e quase parou porque os caminhoneiros pararam de trabalhar e começou a faltar combustível, e quando Buenos Aires ficou sem governo e sindicato chegaram a um consenso. Do mesmo modo os produtores rurais realizaram por uma semana uma greve nacional.

Exemplos maravilhosos para nosso Brasil. A experiência que tive em viver isso mostrou que os brasileiros estão acomodados, de modo geral com tudo. Meus amigos produtores rurais gaúchos tentam e se mobilizam em prol da agricultura, mas estão isolados na imensidão do Brasil. Uma pena.

Não é pra gringo ver

Geral, Política

Em primeiro lugar, é visível que os argentinos são mais politizados e envolvidos com a política do que os brasileiros. Porém, não me refiro apenas a política partidária, me refiro a política no seu significado amplo.
No Brasil os produtores rurais entraram no segundo milêniocom muitos problemas. A competitividade e a produtividade é corrida pelos altos impostos pagos e pela falta de uma política interna e externa que atenda aspeculiaridades do setor primário, e mesmo assim, atenta as peculiaridades decada cultura e produto.

Com raízes no campo, recordo que ainda em 2005 participei domaior “tratoraso” em Restinga Seca/RS e juntos com vizinhos e produtores levamos reivindicações e pedidos de melhoras. Além de milhares de protestos em todo o Rio Grande do Sul e Brasil, e depois culminou com um grande protesto em Brasília. Porém, nada foi feito para solucionar os problemas que existem até hoje. Depois de um grande esforço para unir as diferentes entidades rurais do Brasil para esta luta no ano de 2005 ,nada mais foi feito e o setor primário está fragmentado e penando aos poucos. O êxodo rural e o endividamento, principalmente dos pequenos, afasta qualquer motivação que haja para seguir produzindo.

Quem poderá nos defender?

Geral, Política

Em primeiro lugar a Constituição Brasileira é quem manda! E ela prevê o direito de Greve.

A greve expurga os sentimentos oprimidos de grupos e trás a tona uma realidade desconhecida e renegada pelo Estado. Os governos brasileiros não encaram os problemas de frente e fingem resolver, e para quem se sente em um buraco preso a única maneira de sair, é gritar. Isso foi o que ocorreu no Rio de Janeiro e na Bahia.

É revoltante a remuneração que os policiais militares, bombeiros e policiais civis recebem. E é revoltante ver os governantes omitirem ajuda as corporações formadas por verdadeiros heróis. Desde os tempos mais remotos sempre existiram ovelhas negras no rebanho, e dentro das forças militares são estas ovelhas negras que rasgam a farda das corporações.

Sou favorável a greve de modo geral, exceto a greve de militares de qualquer patente ou corporação. Arma de fogo é para pessoas preparadas, disciplinadas e organizadas em busca do bem coletivo. Penso que uma greve de militares com atitudes “vandalisticas” os tornam guerrilheiros armados em busca do seu próprio bem. Isso é intolerável. As atitudes banditistas dos militares grevistas não sofreram apoio popular e geraram uma repercussão negativa contra os próprios militares. O tiro dos militares saiu pela culatra. Apesar de ser contra qualquer greve de militares, o que eles poderiam fazer para ganharem apoio a suas manifestações seria protestar silenciosamente. Gandhi ensina muito bem isso, pois o silêncio fala muito e toca profundamente.

Por fim penso que a sociedade Brasileira precisa urgentemente de uma grande redefinição de valores, papéis e objetivos. Para que todos possam amar a mesma nação e que todos sintam-se irmãos para caminharem juntos. Pra mim uma sociedade com greves em demasia e com grandes conflitos sociais é sinônimo de uma sociedade que não sabe resolver seus problemas pela raiz. O problema dos militares é antigo e pode ser resolvido o mais rápido do que se imagina, porém os entraves ideológicos emperram o diálogo que poderia resolver este impasse. Enquanto os problemas não são resolvidos, quem poderá nos defender?