A piada do Arroz

Desenvolvimento Regional, Política, Sociedade
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Em primeiro lugar acredito mais no livre mercado do que no controle estatal. E, estado mínimo, na minha visão, é menos folha de pagamento, e não necessariamente menos estatais. Muitas vezes, as estatais são peças importantes para o governo ditar o ritmo que deseja na economia. Monopólio não é o caminho. Empresas fortes sim.

Ultimamente a cadeia produtiva do arroz tem sido massacrada pela mídia e por parte de políticos populistas que falam o que o é lindo de escutar. O Rio Grande do Sul produz cerca de 70% do arroz brasileiro. São 970 mil ha de área cultivada e cerca de 7 mil produtores (metade do que era há 20 anos atrás). A produtividade aumentou e compensou a grande perda de área plantada. Trocada pelo soja, a cultura do arroz foi perdendo espaço no interesse do produtor gaúcho em arriscar e sofrer com um produto essencial e de baixos ganhos. Minha família é produtora de arroz antes do Brasil voltar a ser democracia. A virada do milênio só trouxe problemas e os prejuízos acumulados superam os poucos anos de lucro (se é que de fato houve).

Nesta virada de milênio a política era de manter o produto barato para não elevar a inflação e manter a cesta básica barata. O produto mais consumido no Brasil, base da nossa alimentação, um dos mais baratos de comprar, foi sempre pressionado a ficar estacionado a patamares que não acompanhavam o custo de produção. Orizícolas entulhados de dívidas, aos poucos foram deixando o negócio. Inevitável, a oferta se adequando a demanda e a manipulação estatal. Em um momento de crise sanitária comer é essencial, porém, produzir leva tempo, meses, e só teremos arroz novo em 2021. Importar não resolve, os outros países produtores também irão reter produto para manter a segurança nacional em ordem.

A estimativa do IRGA (Instituto Rio-grandense do Arroz) é que com os preços elevados a área plantada do arroz cresça 3,5% para o próximo ano. Finalmente os produtores obtiveram um ano de lucro. A demanda e as boas oportunidades de negócio elevaram o preço a patamares nunca antes visto. As exportações não comprometem o abastecimento nacional. O governo, sabiamente disse que não irá interferir na lei de mercado, mas, solicitou explicações para compreender o fenômeno e buscar alternativas para evitar uma disparada da inflação. Até ai, tudo bem. Zerou alíquotas de importação neste momento, acredito não ter efeito algum, mas é uma sinalização de atenção a segurança nacional e preocupação com o mercado.

O Brasileiro come uma média entre 34 a 42 quilogramas de arroz por ano. Ao custo atual de R$ 4,40/kg, o custo anual é de R$ 184,00 e um custo diário de R$ 0,51 (15,30/mês). Isto representa hoje 0,4% do salário mínimo nacional.

Em novembro de 2000, o preço do kg do arroz era vendido ao consumidor a R$ 1,52/kg, e representava 1% do salário mínimo. Se corrigirmos pelo IGP-M, pela calculadora do Banco Central do Brasil, o preço hoje deveria estar em 6,52/kg. Haja vista que os custos dos bens industriais muito provavelmente foram corrigidos neste período. O preço antes deste pico histórico era de 1,80/kg (no final de 2019). Ou seja, 62% mais barato, 62% de desconto para manter a própria inflação baixa. E nestes 20 anos que se passaram não houveram momentos de glória, sempre foram anos de marasmo (quiçá de elevação da esperança).

Portanto, frente a todos os auxílios que o governo tem derramado na economia, deixar o arroz surfar o seu momento deve ser natural. Afinal, o próprio governo no passado afugentou os produtores com políticas massacrantes de controle de preços, de limitação de exportações e altas cotas de importação. E, para quem dizia que a economia não importava… ai está o preço.

Mais civismo. 20 de Setembro!

Desenvolvimento Regional, Política, Sociedade

Em primeiro lugar o 20 de Setembro representa uma data que inicia uma revolta armada em prol de interesses particulares. No entanto, após disparado a carga, percebeu-se que se poderia ir além. Bento Gonçalves projetou que uma guerra civil poderia fazer do território mais meridional do Império Brasileiro um lugar diferente, avançado e próspero. O General Neto concretizou ao anunciar a Independência do Rio Grande do Sul do Império. A partir, a história já se encarregou de narrar os feitos e desfeitos desta sangrenta Revolução Farroupilha. Cheia de mistérios e estórias, esta guerra deixou o maior legado já existente de cultura, tradição, civismo, bravura e unidade no território nacional. Hoje, cultuado em muitos lugares do próprio Brasil. Se não fosse os personagens importantes de uma disputa por interesses e posterior luta por ideais, talvez tivéssemos menos civismo no Sul.

brasao rs

Brasão Rio-grandense

 

Atualmente o civismo do 20 de Setembro está empobrecido juntamente com as finanças do Estado. A política nacional e a situação local tem aos poucos deixado as comemorações desta importante data um pouco esfareladas. Apesar das migalhas estarem sempre muito acessas e ardentes.

Juntamente ao sentimento da Guerra, valoriza-se as tradições gaúchas – marcante cultura da nossa terra. Cultura esta exemplar! Cultura esta repleta de uma história digna de um povo, mesmo que seja para gaúcho de apartamento.

Da terra ou do asfalto, somos todos gaúchos – pela herança, pelo sangue e pelos valores compartilhados. Sim, somos todos gaúchos!

Muitos criticam este torrão por ser “bairrista” como algo pejorativo, no entanto, me limito a dizer que falta civismo para quem critica tal situação.

O pedido para este dia, como se fosse algo a cultuar, é para que tenhamos uma terra mais rica, mais forte, mais igualitária, mais libertária e mais HUMANA. Que possamos contemplar o belo e que possamos ficar felizes com nossas raízes, que ao menos, mesmo que seja uma vez ao ano, possamos voltar para dentro de nós e sentir um pouco de amor por algo maior, intangível e transcendental.

Viva ao Rio Grande do Sul, Viva aos Gaúchos, Viva a República Rio-Grandense!! Viva ao 11 e ao 20 de Setembro, Viva! Viva! Viva!

E quem sabe, aqui ser mais um país do mundo…