Social Ditadura I

Política

Em primeiro lugar recentemente estive na Capital de todos os gaúchos visitando uns parentes e realizando um concurso público. A velha Porto Alegre guarda uma alegria e uma emoção debaixo do pó e dos escombros da suja e velha cidade. Infelizmente a Capital poderia manter o ar tradicional, com um toque de limpeza, pintura em cores vivas e sem cheiro de lixo. Apesar de tudo, me sinto muito bem quanto estou lá.

Estive conversando com dois professores de redes públicas de ensino. Eles vivem uma realidade que só imagino, nunca vi. Minha cidade pequena, e mesmo Santa Maria, não possuem as coisas que lá ouvi.

A professora que trabalha na rede pública de Porto Alegre trabalha em uma escola em uma vila que foi criada com pessoas oriundas de áreas de riscos. O que ouvi é quase inacreditável. Ela chegou no terceiro ano da escola. No ano de criação da vila o governo municipal fez um posto de saúde e a escola. As casas foram “vendidas” por valores simbólicos. No terceiro ano as pessoas da vila já estavam domesticadas. Sim, o terno que encontrei para o que ela me descreveu foi esse, as pessoas foram domesticadas. Como animais, viviam marginalizadas da sociedade livre, igualitária e humanitária.

Ela narrou que as crianças não conheciam vaso sanitário. As crianças lavavam as mãos no vaso! As necessidades eram feitas no chão. Chuveiro?! Nunca tinham sentido a magia da água sair quente ou fria em um toque de mágica. Ela contou que ao chegar, para reduzir as saídas de sala de aula, quando uma criança pedia para ir no banheiro ela dizia para aguardar a vinda da outra que tava fora da sala. As crianças reprimidas então faziam, quando tinham realmente a vontade, as necessidades na sala. Sem esperar, agiam por instinto, tanto gurias e guris.

É comum as mães terem vários filhos, de pais diferentes. E muitas vezes nem as crianças compreendem direito quem são seus parentes. Muitas mães  – famílias, dependem quase exclusivamente do Bolsa Família. Ela narrou algumas mães que fazem contas de quando tal filho estiver saindo da escola, um próximo deve estar ingressando. “Casar” com 15 anos é comum. A necessidade de gerar descendentes é a garantia do sistema e do ciclo financeiro da família. As frágeis bases familiares alimentam o surgimento da criminalidade. A culpa não é destas pessoas que mal sabiam usar o vaso. É culpa da sociedade. O sistema econômico vigente não tem piedade dos que estão fora do fluxo financeiro normal de transferência de renda. Então cabe ao Estado ajudar estas pessoas a encontrarem um fluxo de trabalho ou de capital para que possam se sustentar e tornar a economia pujante por trabalho e capital acumulado e circulando. Muhammad Yunus possui boas estratégias para tirar as pessoas da miséria e torná-las pessoas “normais” dentro de uma sociedade. A professora comentou, que quem consegue manter uma base familiar sólida e cresce na vida – torna-se cobrador de ônibus, zelador ou algum emprego de carteira assinada com carreira e estabilidade sai da vila.

A social democracia que se coloca nos países sul americanos não resolve o problema. Apenas acelera a retroalimentação do sistema. O capitalismo cruel não tem piedade dos oprimidos e excluídos. E o socialismo de fachada faz destes oprimidos e excluídos fonte de poder infinito. Sinceramente acredito que o socialismo, se bem aplicado, seja melhor do que o capitalismo bem aplicado. Porém, não sei o que os socialistas e comunistas tem na cabeça em achar que o sistema deles só funciona com um governo presente, pra não dizer ditatorial. E não sei o que os capitalistas tem de tão especial que não podem estender a mão ao seu semelhante.  As ideias do Yunus são o contraponto do socialmente e do capitalismo. O cooperativismo desponta como uma alternativa ótima para as culturas ocidentais. Mas não sei como criar um modelo de nação cooperativista que não seja social democracia. Pois, esta virou uma social ditadura, independentemente de quem a usar. O modelo cooperativista de nação deveria possuir formas de governar e de legislar diferentes.

Ao fim, do jeito que o Brasil anda, não vejo futuro promisso para a Federação nos próximos 10 anos.

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