Manifesto contra o “bairrismo”

Pessoal, Política

Em primeiro lugar o manifesto é contra a expressão e seu conceito pejorativo que está por de trás da palavra “bairrista”. Ainda Em primeiro lugar, os autores deste artigo são riograndenses, gaúchos, brasileiros e muito patriotas.

O termo “bairrismo”, segundo o que alguns pesquisam, originou na época colonial quando Brasil estava prestes a se separar da gestão de Portugal (Neste artigo de um jornal português é possível ver o termo sempre empregado, veja aqui). No Wikipédia, acredita-se, que o termo e seu sentido pode ter sido cunhado por Vasco Graça Moura. No Dicionário Online Português, o termo significa: “que habita ou frequenta um bairro. Defensor dos interesses do seu bairro ou de sua terra, de maneira obsessiva e em detrimento dos demais”. Apesar deste termo ter surgido há séculos atrás pouco se utilizava no Brasil, ou pouco se ouvia falar. Alguns amigos meus que moram em grandes metrópoles me relataram que suas vidas se resumem ao seu bairro. E ouvi fortes – no sentido de realmente haver – relatos de bairrismo, no sentido de pensamento em bairro mesmo, na cidade de São Paulo. Acreditamos que neste caso o termo pode até ser compreendido – bairro, bairrismo. No entanto, esta palavra – bairrista – ganho um termo pejorativo nos últimos anos e comumente é referida ao sentimento que os gaúchos tem pelo Rio Grande do Sul. Em segundo lugar, para algo se tornar brasileiro, deve, obrigatoriamente, passar pela crivo da imprensa e pela indústria cultural do eixo Rio-São Paulo. Essa centralização e o desejo de se sobrepor as diferenças regionais que existem e são profundas em um país como o nosso não podem ser admitidas, como em muitos lugares do Brasil os Estados buscam seu espaço no cenário nacional – ou seja, espaço na mídia do “café com praia”. E por isso, pensamos nós autores do artigo, que o termo pejorativo pode ter sido resgatado por este eixo. A proporção no Rio Grande do Sul que o termo ganhou é incrível. Há muitos lugares no Brasil que o termo bairrista poderia ser usado (aqui e aqui2). O Site O Bairrista “ironiza o egocentrismo gaúcho” (conforme o O Globo se refere ao site) criou-se em cima deste preconceito que o Brasil tem para com o Rio Grande do Sul (o contrário não é tão verdadeiro).  O fundador do portal em uma entrevista a Eny Cultural (e também uma no Sport TV), que quem mais falava no programa da Eny era o apresentador ao invés do entrevistado deixa claro que o seu interesse inicial foi fazer uma crítica ao civismo que aqui tem. E acima de qualquer coisa ele foi um visionário e abriu um negócio, e a real é essa. E deu certo para suas pretensões profissionais e para potencializar o conceito pejorativo da palavra bairrista. Eu sou um leitor do Portal O Bairrista, curto e compartilho muitas coisas. No entanto, muitas pessoas que não tinham consciência da palavra bairrista, hoje tem, e passaram a também se autocriticar. E assim cela o sucesso do eixo “café com praia” para com as demais culturas do país. Se cada “subcultura” se sentir desculturada a cultura do eixo parecerá a melhor. É assim que o eixo mina o uso do “tu” no Sul. Não considero o eixo como bairrista (vejam esta pesquisa) eles tem interesse de colocar a sua cultura sobre as outras. Tanto no Rio Grande do Sul quanto em São Paulo há um civismo da história e cultura do estado – simples. Esse patriotismo todos temos que ter pelo Brasil também – simples. Se vivemos em uma República democrática, aceitar as diferenças é primordial. 

Ser gaúcho não é só nascer no Rio Grande do Sul, ser gaúcho é levar o estado no coração e cultivar nossas tradições. Muito se fala que somos bairristas e que desmerecemos as demais localidades do país e do mundo. Mas amigos, gostar muito de algo não significa desmerecer outras. Quando tu ama algo tu quer proteger seu amor, e cultuar o amor, gritar e parecer bobo sem culpa nenhuma. E nós gaúchos somos assim, amamos tanto o Rio Grande que não nos importamos que nossas praias não tenham as melhores ondas, não nos importamos se a água do mate está quente no verão e jamais vamos reclamar por ter de desfilar no calor do vinte de pilcha. Mario Quintana (gaúcho) dizia que quem ama inventa as coisas que ama…e nos gaudérios amamos todas as invenções que nossa terra nos proporciona, da erva mate a bergamota, do churrasco ao jogo de truco. Não quer dizer que não sejamos apaixonados pelo Brasil, pelas praias Catarinas, por exemplo.

Ao fim, viva a República Riograndense! Viva a linda história que aqui ocorreu.

2 comentários sobre “Manifesto contra o “bairrismo”

  1. Muito bom seu artigo,penso igual.quando comecei a pesquisar o termo na internet me surpreendi com a “negativização “do termo.Estou escrevendo um projeto de dissertação que vou usar esta palavra.E penso em descrevê-lo da mesma maneira como tu fizestes. obs :Minha sogra e do norte do Pará ela fala tu,acho lindo..claro com sotaque diferente .abraços

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