A felicidade na fidelidade

Pessoal

Em primeiro lugar encontrar a felicidade é algo muito presente nos desejos mundanos do século XXI. Muitos que estão lendo este post já se perguntaram se são felizes, se estão felizes, ou, onde poderão encontrar ou compreender isto.

Sobre este tema, muitos livros já foram escritos, muitos cursos já foram ministrados, muitos encontros em grupo organizados, muitas palestras proferidas e uma audiência que cresce constantemente. Até eu me aventurei neste assunto.

O meu livro, Cevei um mate para a felicidade, escrito pelas minhas histórias durante o intercambio na Argentina, teve o cerne conceituado na temática felicidade, pois, foi uma redescoberta do Junior. Na real, uma afirmação. Geralmente em um outro país, outra realidade, outra língua, longe de tudo e todos os conhecidos, as pessoas põe pra fora sua essência. Eu, não alterei nada do que já era. Apenas, compreendi quem eu era. Pois, me mantive o mesmo e compreendi meus gostos, minha personalidade e também o que eu não gosto.

Na minha estadia por Porto Alegre por 3 anos (e o tempo passou voando) eu comecei a finalizar meus conceitos de felicidades. Inclusive, com a estrutura do livro 2 de Cevei um mate para a felicidade já feita. A coroação dos conceitos feito com o término de um namoro, a transferência para Santa Maria e a participação de uma missa dominical em Faxinal do Soturno que me permitiu compreender o livro a Sutil Arte de Ligar o Foda-se.

A felicidade está na fidelidade.

Fiel à: algum lugar, alguma pessoa, algum grupo (família), algum trabalho, alguma crença, algum hobby, alguns amigos, alguns hábitos, alguns gostos, algumas comidas, alguns desejos, alguns mistérios e etc.

Além disso, muitos conceitos de felicidades perpassam a saúde financeira. E não vou aqui falar em dinheiro. Apenas saúde financeira. No sentido de compreender ela e viver o momento de acordo com os limites que podemos pagar. É possível viver feliz sem dinheiro. Sim. Não sei como é, mas comecei a observar pessoas que moram na rua (infelizmente) mas, são felizes. É um contrassenso, mas elas, algumas vezes, aceitam a condição e vivem felizes como estão. Assim, as adequações do estilo de vida e a sua aceitação são influenciadas pela quantidade de dinheiro que sobra e não afeta sua saúde financeira para as despesas básicas. Com isto, tu vive bem. Se quer viajar o mundo, encontre um modo disto. Ou simplesmente aceite o fato de não conseguir e invista energia naquilo que pode.

Portanto, quando tu estas fiel a ti mesmo e aceita isto, a felicidade transborda. Menos é mais. O essencial te fará feliz. Muitos querem conquistar o mundo, e se são felizes em alto giro, estresse, ganancia e etc, ok! Está tudo certo. É a felicidade em outra forma. Qual o teu conceito de felicidade?

Sociedade instagramável

Pessoal

Em primeiro lugar, vivemos em uma sociedade que preserva e valoriza a representatividade: o parecer antes de ser. Ou seja, se nós gostamos de alguém, a valorizamos, a aplaudimos e a seguimos. E isto é porque elas representam algo. Impactam nossa vida pelo o que vemos.

Isso não é de todo ruim.

É por isso que seguimos artistas e pessoas famosas. Pois elas nos trazem esperança e aprendizado de uns estilos de vida que talvez possamos obter algum proveito. Nem que seja para rir.

No entanto, quando nós gostamos de alguém única e exclusivamente por ela representar algo expõe nossa maior podridão.

Se nós medirmos as nossas relações apenas sob esse aspecto nós seremos tão loucos quanto os Santos dos Jesuítas para com os índios.

É por isso que eu sempre digo que nós temos que gostar de alguém pelo que ela é e não pelo que ela representa. E nós temos que ser antes de parecer ser. Jamais poderemos nos esquecer disso.

É muito difícil, somos uma sociedade instagramável.

Muitos acabam julgando outra pessoa por aquilo que vem e quando conhecem a pessoa dizem: “Bah, mas tu és diferente”.

Podemos ter uma reflexão que fica é para que sejamos mais autênticos e que valorizemos as pessoas pelo que elas são conhecendo suas nuances seus detalhes que elas gostam do que elas não gostam sabendo dos seus sofrimentos sabendo das suas angústias aquilo que a deixa feliz e aquilo que as deixa perplexa.

Sermos mais autênticos e menos aparência.

Quando uma pessoa gosta de outra pelo o que ela é, é capaz de compreender movimentos e atitudes que possam parecer estranhas. Ou seja, quando a imagem da representação se descontrói por algum motivo desconhecido, o que deverá ficar é o bom sentimento pela pessoa. Se isto ruir, estávamos gostando da imagem. Por isso, muitos artistas e pessoas famosas, não gostam de ser flagradas. No flagra a pessoa é como ela é. E, para quem vive de imagem, pode ser a ruina.

Portanto, não podemos viver apenas da imagem e gostar das pessoas apenas pela imagem. E se gostar, gostar da sua essência.

Esqueceu de me valorizar

Pessoal

Em primeiro lugar, ouça e escute mais do que fale.  Eu passei por uma situação recente onde uma vendedora de cursos perdeu uma oportunidade de me vender sem precedentes. Ela tentava me vender cursos de conhecimento e autoconhecimento das qualidades do ser humano principalmente do autoconhecimento.

Eu advertir a vendedora de que a minha formação em administração era pela UFSM e que eu tinha passado toda minha trajetória acadêmica e início da carreira profissional fazendo cursos de formação e aperfeiçoamento. Não apenas participava dos cursos como também organizava e desenvolvia atividades práticas de extensão do ensino que me proporcionaram um aprendizado interessante.

No post anterior eu comentei sobre isso de nada adianta termos milhares de cursos milhares de experiências se nós, quando formos aplicá-las, não utilizarmos o coração. Ou seja, quando formos falar de comunicação e comportamento humano na prática, nós devemos estar agindo com veracidade de sentimentos, e não apenas replicando o que nos ensinaram. Nestas atuações, eu vejo várias pessoas que possuem um histórico de não falar com o coração pregando situações e conhecimentos como se assim o fosse.

O gancho com essa vendedora de curso e formação é que ela poderia ao ouvir que eu participei de várias atividades ao longo dos meus 12 anos de iniciação acadêmica e profissional, ela poderia ter explorado e perguntado o que eu tinha feito me valorizando fazendo eu me senti importante com essa bagagem de conhecimento e experiências práticas.

Ao cortar de antemão a fala da vendedora alegando o extenso tempo e dinheiro dispendido em cursos similares, percebo um silêncio emudecedor no outro lado da linha. Assim sendo, eu a peço que envie um resumo dos cursos que ela estava me propondo. E até hoje estou aguardando este e-mail com as informações.

As tuas relações com as pessoas são por interesse puro ou escusos?

Se esquecer de valorizar… vais perder.

Pare de perder amigos e “ratiar” com as pessoas

carreira, livros

Em primeiro lugar, ler é um dos maiores prazeres que possuo. Comprar livros era quase uma mania. Consigo agora entrar em uma livraria e apenas olhar o que está em alta ou verificar os lançamentos.

Tenho por hábito ler um livro por mês. É uma velocidade lenta, mas tento ler 10 páginas por dia. Isto não é fácil na minha rotina preenchida com atividades físicas, laborais e podcasts.

Neste post irei falar sobre Dale Carnegie nascido em Maryville, Missouri no dia 24 de novembro de 1888. E, faleceu, em 1955. Dale teve uma vida sofrida e logrou êxito e felicidade quando se manteve fiel a uma localização e a um trabalho. Como Dale escreveu um livro em 1936 que é referência até hoje no desenvolvimento das relações pessoais. Ele inclusive alterou seu sobrenome, que era Carnagey, e com isto, passou a associar-se indiretamente a família Carnegie, que era rica e famosa nos Estados Unidos. De propósito ou não, a mudança passou desapercebida pela qualidade e praticidade das técnicas por ele desenvolvidas.

Como fazer amigos e influenciar pessoas foi escrito em 1936. Os EUA estavam saindo da grande depressão e o mundo preparava-se para a Segunda Guerra Mundial. Neste contexto onde a persuasão foi destaque das mudanças que o mundo experimentava, Dale sufrou muito bem esta onda.

Eu já havia lido ouvido e visto vários vídeos a acerca dos ensinamentos deste excelente professor, talvez pela minha essência, ou até mesmo pela minha prepotência eu nunca tinha parado para ler o livro dele. Vários amigos possuem o best seller do autor, e alguns comentavam sobre os cursos ou até mesmo nos cursos práticos participam do Instituto fundado por Dale.

O fato é que ao longo da minha trajetória acadêmica e profissional estou próximo dos ensinamentos que elucidou no início do século passado. Muito próximo disso, como o próprio Dale elucida: de nada adianta saber a arte de fazer amigos e influenciar pessoas, se nós não fazemos com o coração. Assim, após ler o livro eu tenho consciência de que eu sempre apliquei os conceitos dele sem saber que ele é que havia reunido e escrito ou até mesmo sem saber que eles estavam gravados em algum lugar.

Reconhecer erros rapidamente valorizar as pessoas promover a integração com desenvolvimento sem falso e sem falsas promessas são algumas das premissas que eu possuo.

O livro está disponível nos principais sites e livrarias do Brasil. O livro não pode ser considerado autoajuda. Autoajuda é na minha visão um livro sobre ideias bonitas para internalizarmos. O livro de Dale é prático. Tem técnicas, tem método, tem pesquisa, tem exemplos de pessoas que aplicaram as técnicas e lograram êxito. Testei duas neste fim de semana e incrivelmente deu certo. Espero aplicar mais para afirmar que a teoria é uma tese bem fundamentada.

Após um tempo sem escrever. Posso confirmar que a arte de Fazer Amigos e Influenciar Pessoas sempre me acompanham, ainda mais após a perda de um grande amigo.

Princípios de Dale no Livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas:

  1. Não critique, não condene, não se queixe.
  2. Faça um elogio honesto e sincero.
  3. Desperte na outra pessoa um ardente desejo.
  4. Interesse-se sinceramente pelas outras pessoas.
  5. Faça a outra pessoa sentir-se importante, mas faça-o sinceramente.
  6. Respeite a opinião alheia. Nunca diga: “Você está errado”.
  7. Comece de um modo amigável.
  8. Desenvolva um interesse genuíno pelos outros.
  9. Sorria.
  10. Lembre-se de que as pessoas consideram o próprio nome o som mais agradável e mais importante de qualquer idioma.
  11. Seja um bom ouvinte. Encoraje os outros a falar de si.
  12. Fale sobre assuntos que interessam aos outros.
  13. Faça o outro se sentir importante – e seja sincero.
  14. A única forma de ser dar bem numa discussão é evitando-a.
  15. Demostre respeito pela opinião alheia, nunca diga: você está errado.
  16. Se estiver errado, admita depressa e de maneira enfática.
  17. Comece sendo amigável.
  18. Faça com que o outro diga “sim” imediatamente.
  19. Deixe o outro falar durante a maior parte da conversa.
  20. Deixe a outra pessoa sentir que a ideia é dela.
  21. Tente honestamente enxergar as coisas do ponto de vista do outro.
  22. Demonstre compaixão e compreensão diante das ideias e dos desejos do outro.
  23. Apele para motivos mais nobres.
  24. Dramatize suas ideias.
  25. Lance um desafio.
  26. Comece com um elogio sincero.
  27. Aponte os erros alheios de forma indireta.
  28. Fale sobre seus próprios erros antes de criticar o outro.
  29. Faça perguntas em vez de dar ordens diretas.
  30. Preserve a dignidade do outro.
  31. Elogie todos os progressos, mesmo o menor deles, seja caloroso ao demonstrar reconhecimento e pródigo nos elogios.
  32. Dê ao outro uma bela reputação para manter.
  33. Encoraje. Faça o erro parecer fácil de corrigir.
  34. Faça o outro se sentir feliz por fazer aquilo que você sugere.

Causos e memórias – Com André Motta.

Pessoal

Em primeiro lugar encerrar tua conta no Banrisul não foi uma tarefa fácil. Doeu, posterguei um pouco, mas não deleguei. A realizei com a hombridade e serenidade de alguém que estaria à altura de respeitar tua história: encarei o problema de frente. Foste e deixaste a parceria da dobradinha de metas trocadas: eu te ajudava no BB e tu no Banrisul. Nada se aproximaria a nossa parceira comercial, pois para que ela ocorresse deveria haver muita confiança e entendimento do mundo real. Não tenho ninguém com a confiabilidade e convicção do nosso trabalho disposto a ouvir os anseios e colaborar de verdade.

Ao chegar no teu velório tua (ex) sogra me entrega uma lembrança que marcou uma das minhas idas para te visitar. O ano é incerto, o local, Salto do Jacuí. Chego na tua casa e me deparo com uma foto nossa exposta na tua sala. Era o único retrato que havia no local. Esta foto marcou (foi uma praia em Ferrugem) e o momento que a vi compreendi: somos irmãos. Afinal, era uma foto nossa que decorava tua casa. Prometi que quando tivesse meu canto teria uma foto nossa, mais atualizada e mais linda (risos). E assim o cumpri. Quando fui morar em Porto Xavier lá coloquei nossa foto.

No início achava um pouco cafona a nossa amizade. Éramos estranhos, pensávamos em estudar, trabalhar, ler (líamos muito) saímos nas festas duros de dinheiro, confiança baixa e alegria pré festa maior que o pós festa. Eu ou ele sempre estávamos meio que “namorando” alguma guria. E isto quebrava nossas festas. Neste ponto a amizade fica forte. Não era uma amizade de simples parceria de festa, íamos muito além disso.

O André tem uma história de vida digna de livro. Do nada veio e tudo levou. Venceu. Desde muito cedo aprendeu a lutar para evoluir, melhorar, conquistar e realizar. Encarou problemas em uma época rude. Me contou sua história de vida ainda quando dividíamos apartamento na Venâncio Aires, em Santa Maria/RS, prédio do Xisto, último andar. Estávamos saindo para a Ballare e algo estava atormentando a cabeça dele. Depois de prontos ele resolve parar e conversar. Ficamos até as 2h da manhã conversando (na realidade, eu ouvindo).

Depois deste desabafo, percebi que tínhamos muito em comum. A solidão também me acompanhava. Pela formação e minha história de vida pessoal, as angústias e problemas eram semelhantes. A partir daí começamos a não apenas dividir o espaço físico, mas também compartilhar histórias, emoções, causos e indiadas. Ensinei ao André a guardar para amanhã. A não queimar um rolo de papel higiênico em duas visitas ao trono. Também a consumir uma barra de chocolate minha sem pedir. O André me ensinava a pensar: vai, faz, fala e não pensa nos outros. Demorei a compreender – confesso que apenas em 2021, após passar por Porto Alegre, é que me resolvi em todos os campos da minha vida -.

Irmãos normalmente brigam. Eu e o André nunca brigamos, salvo dois fatos caricatos. Cheguei de uma festa antes do André. Cheguei muito mal. Deitei. Passei mal e levantei para ir ao banheiro. Porém, errei a porta e vomitei no quarto dele, no chão e sob seu notebook. Como por hábito que tínhamos, deixávamos os calçados na porta. Ele chegou, e sem calçados entrou no quarto. Ele me acordou de madrugada furioso. No dia seguinte eu comprei uma caixa de bombom e deixei um bilhete pedindo desculpa, afinal ele teve que limpar a bagunça. No entanto, passado algum tempo, ele chegou de uma festa, eu já estava dormindo, e ele estraçalhou o banheiro. Para variar eu não vi nada e acordei cedo no outro dia, tinha um evento que ia participar. O banheiro estava intransitável. Nada falei, apenas limpei. Recebi carta de desculpas e uma caixa de bombom.

Passados estes dois incidentes, nunca, mas nunca brigamos de ficar mal. Já briguei pelas barbeiragens do André, até levantando a voz no meu jeito gringo de ser e ele comigo com algumas bobagens que eu fazia ou falava, principalmente falava. Ele franzia a testa, abria bem os olhos, fazia um gesto forte com a mão te apontando e dizia em voz mais baixa “tu não pode fazer isto cara”. Quando o André se formou ele deixou uma foto de formatura para mim (e eu deixei a ele quando me formei). Quando ele foi pra UTI fiz um altar com esta foto, porém não li (não lembrava na real) o verso. Quando fui mandar fazer um quadro me arrepiei: a mensagem parecia ter sido escrita há poucos dias. “Somos mais que amigos, somos irmãos, pode ter certeza que vou estar a teu lado torcendo e te apoiando sempre”. O André falava as verdades nuas e cruas na minha cara, do tipo: “toma que te mandaram”. Poderia me criticar, mas INDEPENDENTEMENTE da minha decisão, ele SEMPRE, me apoiava. E eu assim era com ele. Fui contra ele ter ido pra Brasília e ter separado, mas era minha obrigação estar do lado dele. Isto nos dava conforto para superar as agruras da solidão. E o melhor, conversamos sem julgamento. Ele ouvia, pensava e falava. Tem pessoas que tu conta algo e disparam olhares de julgamento. O André não. No máximo poderia rir (risos).

Falando sempre as verdades boas e ruins abria caminho para sempre nos visitarmos. Quando ele comprou a casa para morar com a esposa, o quarto de visita era organizado para eu ir (na época eu namorava, então, ele sempre programava coisas para os casais saírem). Esta visita era coroada por troca de presentes. Eu sempre levava algo a ele e ele sempre levava algo a mim. E, às vezes, o André levava presente para minhas priminhas também. Sempre estávamos nos organizando para nos visitarmos. Em 2012, durante meu intercâmbio na Argentina, o André foi me visitar! Ninguém pensou em ir me ver, mas ele, aproveitando a oportunidade, foi me visitar em Santa Fé e ficou uns dias lá passeando. Quando fui morar em Porto Xavier ele também foi me visitar e fizemos um passeio bacana pelo nordeste da Argentina na oportunidade. Estas duas viagens ele levou mais de 10 horas para chegar ao destino e me ver. Vir em Faxinal era frequente para ele. E eu ia para Salto do Jacuí, Parobé, Três Coroas e Brasília. Inclusive assinei o Tudo Azul para juntar pontos e facilitar minha ida a Brasília. Agora que resido em Santa Maria, comprei um sofá cama para meu apartamento de 1 dormitório. O sofá cama foi pensando em receber visitas. Mas, uma em especial pensei na hora que comprei: Quando o André vier ele terá onde dormir. Inclusive troquei um sofá de 2,32 por 2,10 porque ele caberia no 2,10 e isto já me bastava. Não foi fácil, mas conseguir trocar o móvel e ganhar mais espaço no AP.

Meu 31º aniversário foi marcado pela perda do André. Tenho bons vínculos de amizade, mas restrito. Meus amigos são os mesmos desde que foram formados. Poucas pessoas saíram ou entraram. Os novos amigos não chegaram ao nível do André e dificilmente haverá alguém que ocupará o espaço deixado. Pensando nisto, é quase inacreditável que ficará um eterno vazio. O André, como não me julgava, criou o ambiente perfeito para o compartilhamento dos pensamentos mais profundos que ambos tinham. O André sabia de toda minha vida e eu a dele. TUDO. Erro de trabalho. Da vida. Confiança de contar e saber de que dali não ia sair. A permissão de confidenciar nos ajudava a encarrar a angústia da incompreensão e da solidão que sofríamos por vezes. E aqui há um ponto interesse: estou expondo nossa vulnerabilidade. No entanto, é nisto também que assemelhávamos. Falamos sobre os problemas, expomos eles e ao mesmo tempo somos fortes para aguentar o tirão. Nem que depois de aguentar firme o problema desabássemos. A confidencialidade foi importante para a evolução de ambos. É difícil encontrar pessoas de confiança. Eu confio muito nas pessoas, deposito muita fé e credibilidade, mas o André era a única pessoa que eu confiava cegamente para todos os aspectos.

A confiança era grande que eu dizia que poderia até ser sócio dele. E assim fomos. Nas experiências que iniciamos, todas elas foram frustradas. O mais importante foi tentarmos. Colocamos em prática um pouco de administração. Ainda sobre confiança, a minha senha de 6 números no Banco do Brasil foi o André que colocou e era igual a dele. Para facilitar minha vida, as senhas do Banrisul que são de 6 números foram alteradas para as mesmas que tinha no BB. No Banrisul e no BB, a Senha de 4 números que tenho o André sabia (eu tinha falado) e a dele de 4 números dele eu sabia. Quem sabe as tuas senhas? O André sabia o que se passava na minha cabeça, poucas coisas deixei de contar a ele. Eu tenho uma planilha de controle de finanças pessoais desde 2013 e compartilhei com o André a fim de acompanhar minha vida financeira e me ajudar. Dividíamos nossas crises de ansiedade que muitas vezes se refletia em crises financeiras. Eu já vinha e venho numa batida de organização mental para minimalismo focado no que é essencial investir apenas no que de fato vai dar retorno.

Comecei a escrever logo após a tua partida, no fim de semana seguinte ao do dia 06/11/2021. E aos poucos fui escrevendo. Hoje é 19 de dezembro e faz quase 20 dias que não consigo escrever. É como estivesse fugindo desta missão. A verdade dói. E para esta dor pensei que estaria preparado. Não estou, partiste antes do previsto. É quase inacreditável. Desculpa André.

Na semana da cirurgia o André não estava confiante. Não senti isto nas ligações. A cirurgia foi quinta, terça, a última vez que nos falamos por ligação, ela durou 21 min e 46 seg, ele manifestou preocupação. Ele sempre dizia que era simples e estava obstinado com a solução definitiva do refluxo. Naquela fatídica semana, eu, no meu trabalho, estive envolvido em situações importantes e representativas. Diretores do banco estavam na cidade e estávamos em alerta na agência. A semana foi agitada e bastante corrida. Ainda tive aula de Agronomia. Perdão André, não fiz a leitura correta. Perdão por não ter te ouvido com atenção. Perdão desta vez por não ter feito o contraponto devido. Não estávamos devidamente conectados naquela semana. Tento, não alimentar um sentimento de culpa. Talvez se a tua luta contra o refluxo fosse recente e o estrago fosse repentino, eu estaria em um estado deplorável. O tesão que estava na semana fatídica fez com que minha adrenalina ficasse em alta em boa parte do tempo. Estava focado na perfeição da conclusão dela (visitas de negócios e reuniões importantes). Não foquei como deveria em ti meu amigo. Desculpa.

Retomei hoje a escrever, enquanto estava no banho só tinha vontade de escrever o parágrafo da desculpa. Ao abrir o blog me surpreendo: eu já tinha escrito na última que sentei para escrever. Na real, só penso em desculpa. É inacreditável o que ocorreu. A ficha não caiu. Não sei se vai cair tão cedo. De modo cômico e irreverente cheguei a pensar: bem coisa do André morrer assim. As coisas engraçadas e divertidas ocorreriam com ele. Existem pequenas micro histórias que não tenho mais vontade de propagar. Acho que este bloqueio com o sentimento de desculpa travou minha escrita. As situações caricatas ocorriam com ele porque ele se permitia, ele não pensava muito apenas agia. Não estava preocupado com o que os outros iriam pensar. Casou, separou. Abriu negócio, fechou. Comprou casa, se mudou. Estava em um cargo, depois já em outro, e depois no mesmo em outro lugar… Assim ia. Ele comprava as brigas comigo e tomava minhas dores, e, às vezes, agia por mim, sob críticas dos mais próximos ele dizia: foda-se, eu queria que agissem assim comigo.

E era esta cumplicidade que foi construída era materializada nos presentes. Sempre quando nos víamos trocávamos presentes. Em março de 2021 iríamos para o Nordeste. O André contraiu covid na semana e não viajamos. Eu já tinha comprado um calção de dólar para dar de presente e tinha mandado fazer tornozeleiras escrito macanudo para usarmos. Ele tinha até hoje todos os presentes que dei e eu tenho os dele. Fiquei com uma bermuda que ele me emprestou uma vez, agora, parei de usá-la. Uma vez eu quebrei um São Jorge dele, sem querer, comprei outro, ele o tinha guardado. O André era um cara muito espirituoso e hoje compreendo que ele praticava a gratidão com frequência e disciplina com o objetivo de agradecer tudo o que ele construiu. Talvez tivesse tudo para dar errado, mas ele venceu na vida. Era grato por isto. Se contentava com o que tinha mas queria subir. E saber que a subida valeu a pena.

Passados mais de dois meses, hoje, 12 de janeiro de 2022, a maior saudade é não poder compartilhar e ouvir as devolutivas tuas sobre as coisas que compartilhávamos. Sei que estás acompanhando tudo, porém, o teu feedback e a tua escuda fazem uma falta tremenda. Li ontem que as vezes quando não aceitamos algo rimos. A primeira reação da notícia da tua partida foi isto: riso de incredulidade. Às vezes me pego rindo e penso: eu não acredito que aconteceu isto. Ultimamente tenho tomado algumas decisões importantes para meu bem-estar e para meu desempenho no banco e todas as vezes eu penso: eu acho que o André falaria isto. Ou digo para mim mesmo, parece que ouço o André falando: “faz assim, macanudo”.

Tuas fotos no meu apartamento terão um destaque especial, talvez um altarzinho para sempre lembrar da posição especial que ocupa.

Nós já / nós somos:

Praticamos canoagem em Salto do Jacuí, já fizemos festa em Santa Maria, já viajamos de carro juntos, estudamos juntos na faculdade, moramos juntos, fizemos trabalhos juntos, empreendemos juntos, falimos juntos, fizemos negócios juntos, fazíamos compras juntos, comprávamos as mesmas porcarias juntos, dividíamos prejuízos de compras mal feitas, tomávamos tragos juntos, fumávamos charutos juntos, embutíamos um ao outro hábitos que tínhamos, fomos ao estádio do Inter juntos, no do Grêmio nunca tínhamos ido juntos, somos gremistas, somos de direita, não somos radicais, somos espirituosos, fomos à praia juntos, trocávamos experiências de livros, jogamos bola juntos…

Sonhos que se foram
Empreender e ter nosso negócio com independência financeira;
Ter uma Kombi (depois evoluímos para um Motor home) para dar uma volta a todos os Estados do Brasil;
Comprar uma casa na praia para veranearmos juntos ou no mesmo lugar ao menos.

André, um cara caricato…

  1. Foto emblemática

Após sairmos uma noite nos deparamos acompanhados, após uma dose de alegria nos reunimos novamente e registramos o momento em uma foto. Foi extremamente emblemática, pareceu casal gay. Ela era até então chacota da turma de amigos. Talvez até algumas mulheres próximas pensassem que fôssemos gays, mas talvez apenas as caixas registradoras dos supermercados, no seu mais íntimo pensamento, tivessem “uma prova”: nós sempre falávamos no momento que as compras estavam passando pelo caixa “”Bem”/ “Amor” pegou o preservativo?”. Certa vez o André cansado de cair na minha chacota, jogou uns quantos preservativos enquanto eu estava acertando as compras e disse: paga pra nós. Ele era a única pessoa que poderia me divertir com uma situação inusitada assim sem problemas, retaliações. Não revidava. Ele apenas vivia aquele momento se divertindo.

2. Foto da irmandade

Quando eu vi esta foto lá em Salto do Jacuí compreendi a irmandade. Apenas isto. Ela falou tudo.

Em Ferrugem, carnaval de 2010

3. Foto da formatura

A dedicatória dele é impactante. Quando fiz o altar para orar por ele não vi. Quando mandei emoldurar a foto, percebi e a reli. Parecia ter sido escrita pouco antes da sua partida definitiva.

André Motta formado em Administração. Começou pela UFSM, mas não conseguiu concluir pois havia sido chamado no BB
Só fui lembrar da dedicatória quando mandei emoldurar a foto… foi arrepiante, pois parece que escreveu há poucos dias de partir.

4. Motorista

O André tirou a carteira de habilitação veicular muito tarde. Não tinha o jeito. Era uma direção agressiva com o próprio carro. Logo após ele ter pego o seu primeiro veículo 0 km, um Ford Ka (que hoje pertence ao pai de um colega nosso de faculdade e colega do André do BB) ele foi me buscar em Cruz Alta pois eu tinha ido visitá-lo em Salto do Jacuí. No trevo de acesso ao Salto, na rodovia, ele parou no trevo. Longe vinha uma carreta, e na insegurança de motorista novo ele pergunta: Dá tempo? O Gerente dele na época que nos acompanhava fala em tom de brincadeira: não vai, vá que tu apague. Pois bem, a carreta passou, ele arrancou e apagou o carro. Ficou nervoso e demorou para arrancar. Fomos em silêncio até o fim da viagem.

Depois, já com o Ônix, ele foi me mostrar o carro. Eu estava de cinto de segurança, ele não estava, não quis por pois dizia que em Salto do Jacuí se a Brigada te visse de cinto desconfiaria. De zoeira, eu após começar a dirigir, freio bruscamente para “testar o freio” o André bate a cabeça no painel… eu vi a cena em câmera lenta. Foi divertido…

Ainda com Ônix ele foi me visitar em Faxinal. Estávamos com uns amigos na frente da pizzaria. Uma amiga falou (só percebendo ele chegando naquele momento): “este cara vai bater o carro assim”. Quando ele fez o retorno para estacionar na nossa frente ele subiu na calçada. Rimos muito. Minha amiga tinha cantado a pedra.

O André sempre, mas SEMPRE, se perdia para chegar em Faxinal do Soturno/RS. Ele me visitava várias vezes e sempre se perdia. Ele também esquecia que eu sempre falava: não põe na grama que a mãe fica braba. Ele parecia fazer de propósito não ouvir para criar uma quizila. Uma vez inclusive atolou na grama.

Porém, uma vez, indo para Rivera eu me perdi bonito… Rumei o up! TSI para São Sepé… pensa numa volta que damos. Erro meu. E nesta vez, eu fui extremamente rude contigo (também, tu não podia ver um buraco que tinha que passar por cima). Teria vergonha se não tivéssemos intimidade. Teríamos ficado de mal se não nos entendêssemos muito bem.

5. Morando junto

O Carneiros House (Andréééé e Bóóóóób) era como chamávamos nosso AP. Em cima do Xisto em Santa Maria/RS. Fizemos algumas festas. Não tínhamos fogão, apenas fogareiro. O André várias vezes colocava roupa secar no micro-ondas. E perdeu alguns tênis assim.

Ensinei ele a poupar papel higiênico e mostrei que era possível realizar economizar e chegar ao objetivo final. Ensinei ele a guardar um pouco para comer depois. Ele me ensinou a se preocupar menos e a deu exemplos para lutar pelos objetivos.

Uma vez eu estava em Faxinal e ele me ligou. E contou a seguinte história: Ele convidou um amigo dele para ir no AP em um fim de semana. Porém, quando o amigo dele foi, foi em um fim de semana que eu não estava e ele tinha levado uma guria para lá. A guria concordou e o amigo foi tomar uma gelada. No entanto, o cara começou a dar em cima da guria do André. Este, não estava acreditando chamou ele para conversar no quarto. E aí começaram a brigar. O André teve expulsar o cara a soco do AP. A vizinhança ficou horrorizada. Ao ser questionado o André disse que tinha visto alguém invadindo o prédio. Até a polícia chegar o ex amigo já estava longe. O André tinha jogado a bolsa dele pela janela. Era noite. A Brigada chegou e constataram que ele estava dentro do cartório. Entraram no Xisto de armas em punho. Porém, em uma grande coincidência, uma estante tinha caído. Na ligação para me contar isto ele só dizia: perdi um pé do meu chinelo novo! Ao colocar o cara pra fora do AP, o chinelo dele ficou pelo lado de fora e o cara levou embora aquele chinelo. Esta foi a dor dele.

6. Comendo como ratinho

O André tinha um jeito engraçado de fazer as coisas. Com as mãos firmes, parecia um robozinho, andando, comendo, jogando e dirigindo. Era engraçado ver ele comer. Comia olhando fixamente para algo. Movimentos lentos. Apreciava a comida na velocidade que comia.

7. Assador de carne

Certa feita, o André, na casa de uma namorada em Santa Maria foi fazer um grau ao sogro e se propôs a assar a carne. O André nunca foi um bom cozinheiro, quiçá assador. Ultimamente ele se virava. Era por volta de 2005 talvez. Ele foi até a casa do sogro da época para o churrasco de meio-dia. Com confiança reuniu os materiais e lascou fogo. Preparou a carne. Os condimentos e as travessas para servir e iniciou o assado. Após a carne no fogo e já passado algum tempo ele percebeu que a lenha era pouca e precisaria de mais. Então, como taura do Rio Grande, pegou a maior faca da casa e começou a largar lenha. Começou a lascar a lenha mais próxima que tinha, era grande e bem seca. Depois de tudo lascado e já inserindo no fogo, chegou no recinto o sogro e ficou atônico: O André tinha lascado a enorme tampa da churrasqueira (que ele mesmo tinha tirado do lugar para fazer o fogo). Meio desligado do entorno e suas consequências, este era o André.

8. Viagem para compra de carro

No meu período como Gerente de uma Concessionária Autorizada Volkswagen, a Japel, o André, que morava em Parobé, comprou um carro 0km comigo. Isto mesmo, ele tinha um Onix novinho e como eu era o Gerente, vendi um Fox 1.6 0km a ele. Amigo meu tinha que comprar carro comigo. O André nem pesquisou fora. Fizemos um negócio justo e ele veio buscar em um sábado o veículo em Faxinal do Soturno. Ele permaneceu na linha VW por minha causa. Compreendeu valor da marca e nunca mais saiu dela. Trocou por um up! e depois um por novo Fox zero. Detalhe, quando ele comprou Fox eu tinha um Fox e quando ele trocou por um up! eu tinha um up! Coincidência? Não, cumplicidade e confiança.

9. Microhistórias

O André era caricato porque adorava uma quizila. Como já contei a história do preservativo no caixa, o André compreendia a importância de encarar leve os momentos da vida. E, isto tornava os momentos com ele únicos. Sempre saia uma história quando nos encontrávamos. Fui a Brasília visitá-lo e eu adoro algo diferente, e me levou em um restaurante chique de comida nordestina. O garçom perguntou o que eu queria beber, pedi a carta de sucos e escolhi um bem diferente. Enquanto ouvia e pedia o André estava chegando na mesa, e meio que automaticamente disse ao garçom que poderia ser uma jarra ao invés do copo que tinha pedido. Chegou o suco e ele a Luana não engoliram bem o suco. Era de cupuaçu. Eu tomei para provar e segui bebendo meio a contragosto. O André ficou me tirando do absurdo de suco que tinha pedido, e um pouco bravo pelo preço pago na jarra. Eu dizia que tinha uma memória do sabor, só não sabia de onde. Dias depois eu lembrei e mandei uma foto: era o sabor do meu xampu de cupuaçu que usava.

As besteiras que ele falava e fazia era para criar momentos assim… únicos, marcantes, com vida, com alegria, com história, com eternidade. O fato dele fornecer plano de saúde para as companheiras era engraçado… tomava uns prejuízos, mas não se importava. Ria das situações.

Quando dançamos Macho Mann em uma festa do DAAD (Diretório Acadêmico de Administração da UFSM) o André era o que mais motivava. Estamos receosos. Depois de divulgarmos que a festa a fantasia do Diretoria teria como atração os membros dançando ao som do Village People, começamos a ouvir chacotas. O André dizia: foda-se, vai ser divertido, o pessoal vai gostar. E foi, a festa foi divertida e o evento um sucesso. Tenho boas histórias daquela noite. Eu estava de policial, fiz barreira na frente do lugar (parei 3 carros), fiquei com uma colega que era casada, aí outra solteira que queria ficar comigo e era melhor amiga dela brigaram (barraco), depois da festa saímos com uns colegas para outro rolê, me passei por brigadiano, quando uma viatura chegou perto de nós enquanto estávamos andando, “me pelei” tirando a farda, depois, briguei com quem estava no carro (o pessoal ia comprar coisas que eu não consumia) e foi dormir na casa de uma amiga ali perto da rodoviária (e isto era 6h da manhã). Uma noite digna de se contar… E conforme a saudade vai aumentando, as histórias irão surgindo e as outras memórias irei descrevendo futuramente.

Não houve uma pessoa sequer que conversou comigo sobre a morte dele que não externou profunda estima pelo André. Era um cara desapegado, mas que transmitia e entrega muito carinho, compaixão e atenção. Quando ele vinha me visitar trazia presente para minhas primas pequenas. E, quando pegou fogo a casa do meu tio ele trouxe uma TV (que meu tio me lembrou disto com muito carinho).

Por fim, eu tenho medo de morrer. Mas, não temo a morte. Ao longo dos séculos, conforme a medicina, o acúmulo de riqueza aliado e o acesso ao crédito foram se expandindo e evoluindo, o homo sapiens tem conseguido postergar e burlar a morte. O custo de aceitar aquilo que é mais inevitável (até o momento) e natural são noites de sono em claro e a negação da perda de um ente querido. Logicamente, perder alguém com idade avançada ou uma doença sem cura é compreensível, é da vida. Perder alguém abruptamente não é fácil superar. A saudade é grande. Criei alguns conceitos, do tipo, quando casar terei um padrinho a menos que será tu, te visitarei sempre que possível fisicamente para um bate-papo franco e zelarei para sempre ser lembrado. Não deixou filhos conhecidos. Porém, plantamos árvores na Fepam de Santa Maria uma vez em uma atividade da UFSM e teu nome está gravado no meu livro nas primeiras páginas.

Tu, como um bom cavaleiro de São Jorge, subiu para o outro plano existencial não temendo as consequências de fazer aquilo que queria. Tu sempre foi assim. Obstinado. /É, senti tua presença nesta parte final, arrepio longo, tamo junto irmão/ Nunca se importou muito com as consequências quando queria buscar o que desejava, tu dizia: “aaa foda-se, eu não tô nem ai”. Estou encarando tua perda com uma dor intensa e imensa, mas de cabeça erguida, sem medo, de corpo blindado, como tu agia nas tuas batalhas. Tua missão em terra foi curta, mas intensa. Obrigado. E desculpa por falhar.

As vezes nos meus devaneios eu me pergunto: como tu foi partir? Por que fostes agora?… e concluo, volta cara.

“O poder da perda – em memória ao André” este era o nome do post, mas, agora que fui postar, senti que escrevemos juntos, tu esteve presente.

Por Junior de Mello, teu irmão macanudo.

Vivendo sem se importar com o momento e as consequências. André no Estádio do Unión de Santa Fe, em Santa Fe / Argentina. Ano 2012.
Visita a casa do André. As vezes bastava o silêncio da companhia para termos um momento.
Criamos o hábito da jogatina, ir para um país castelhano tinha que ter cassino!
Um cara que gostava de novas coisas, experimentava
Curtia o momento, mesmo que o mundo estive caindo, e nesta foto, estava… e ele quis parar para tirar uma foto ali…
Viagem histórica para Brasília… Fui até lá para vê-lo, e vou aonde estiver.
Quando ele virou Gerente de Agência dos Correios… sugeri pra ele não ir para o BB. Para ficar nos Correios e fazer uma Carreira brilhante que vinha fazendo. Sair dos Correios para ir para o BB de Salto do Jacuí resultou em não seguir na UFSM. Ainda bem que ele não me ouviu (risos).
Nos primórdios… a beleza não era nosso ponto forte, mas a parceria era grande
Turma do diretório acadêmico da Administração da UFSM 2009/2010
Primeira foto do primeiro dia de aula da turma. A data está errada. Era agosto de 2008.
Nós veteranos recebendo os bixos de administração
O que valia era a participação. Em pé: Luiz, Lucas (que foi colega do André de BB e trabalharam juntos e moraram juntos), o Dian, o Jeison (meu colega de Banrisul). Agachados: Anderson, Eu, André.
No apartamento em que morávamos em Santa Maria, sobre o Xisto, o ano era 2010
Parceiro de corrida em Tarumã
Animamos a festa da Admentes, festa do Diretório. Pagamos um coreógrafo para nos ensinar Macho Man. Tiramos vários suspiros das gurias. Só bons amigos, engajados poderiam fazer uma loucura. Os atores eram o Jeronimo, o André, o Ian, o Junior, o Rodrigo e o Luiz…
Foto emblemática, no grupo da faculdade, volta e meia ela vinha a toma… ela não é o que parece. Mas simbolizou uma baita noite que vivemos. Eu tinha vergonha dela, ficava brabo quando postavam. Apagava com medo de que alguém que não entendesse ou não acreditasse na nossa amizade poderia pensar bobagem. Nós nunca nos relacionamos, éramos irmãos. Agora, resolvi postar: foda-se.

O poder da regra

RH

Em primeiro lugar o post poderá desagradar. O poder da regra terá um entendimento diferente, confira.

Vou apresentar dois conceitos básicos norteadores do pensamento aqui proposto.

Segundo o Michaelis:

Regra: O que regula, disciplina ou rege; norma, preceito, rédea. Preceito que determina uma norma de conduta e de pensamento.

Segundo artigo do site Movidesk:

O Customer Centric (centrado no cliente) é uma filosofia de negócio em que as ações estratégicas são desenvolvidas tendo o consumidor como foco. Dessa forma, a empresa constrói seus processos pensando em sempre otimizar a experiência do cliente. Essas organizações respeitam os consumidores e os valorizam, porque entendem quão importantes eles são para o negócio. (Para saber mais clique aqui).

Agora vamos a duas perguntas:

  1. Regra é regra. Certo? Correto.
  2. Sem clientes não existe faturamento. Certo? Depende da arrogância como foi respondida à pergunta anterior.

Em empresas calcadas na mediocridade em acreditar que sua posição superior é um status quo inabalável a segunda pergunta vem acompanhada de um riso de deboche do gestor/funcionário superior/simples funcionário que pensam na obviedade da resposta. Funcionários mais astutos irão responder com depende, nem sempre, na maior parte das vezes…

As regras são para serem cumpridas. No entanto, o que deve ser seguido é o compromisso de entrega de valor ao cliente. Muitas vezes, em grandes companhias verticalizadas e sem cultura de confiança, de entrega, de objetividade e de resolutividade, o cliente é visto como um estorvo. E, muitas vezes, o cliente é penalizado por problemas sem solução, ou com morosidade de solução pelo simples fato de uma regra não fazer menor sentido se o cliente é a parte mais importante da empresa.

Vamos ao seguinte caso:

A regra vai facilitar a vida de todos, agregando valor ao cliente a imagem da instituição? Não.
É possível criar um atalho de solução? Sim.
É errado? É.
Alguém será prejudicado com o desvio da regra? Não.
Então faça.

Porém, fazer algo errado pode ter uma dura penalização. O motivo principal: a regra salvaguarda os medíocres de sua inoperância. Ou seja, não fiz, não faço e não me arrisco, pois, a regra não deixa. Mais fácil agir assim, não é?

O desafiante que quer resolver o problema (preocupado na solução e não na causa) está disposto a calcular e correr riscos para resolver, mas que a regra o impeça de tal solução.

Parece óbvio tudo isto, porém, na vida real não é. E cada vez mais as grandes empresas perdem bons profissionais pois apostam em sistemas cada vez mais rígidos, complexos e repletos de manuais e reuniões de alinhamento sem fim.

Quando os clientes não percebem mais valor no negócio e os funcionários geradores de lucro não se esforçam mais, a história já nos deu vários exemplos de como será o final.

O poder da perda

carreira, RH

Em primeiro lugar o poder da perda é algo que uma geração nascida após os anos 2000 e 2010 talvez não tenha tão presente. É uma geração que nasceu vitoriosa. Pentacampeã.

Uma geração que viu seus pais estabilizados e construindo certo patrimônio e adquirindo bens de consumo. Uma geração que consegui ter fácil acesso a crédito (via fintechs) e conseguiu adquirir em menos tempo coisas que seus pais levaram anos, décadas, para conseguir.

Muitas pessoas de sucesso são taxas de arrogantes ou prepotentes, no entanto, observo um comportamento padrão em pessoas de sucesso que cresceram de baixo. Diferente daquelas que arrancaram de um nível de sucesso herdado de novo ou de patrimônio do seu patriarca. No entanto, aqueles que compreende a máxima de: Vô rico, pai nobre e filho pobre, age diferente não deixa isto ocorrer.

E para evitar o fracasso de uma sucessão a percepção que tenho é que os patriarcas embutem na cabeça dos novatos que as coisas não são fáceis e que merecem ser conquistadas. E isto vale para tudo. Vale para bens, vale para relações, vale para sentimentos e tudo o que possa ser conquistado com suor e perdido sem mais nem menos.

Conquistar com o próprio suor o seu espaço é o maior ensinamento que pode ser transmitido. O espaço é a confiança de poder realizar suas conquistas com a glória de ter valido a pena o esforço compreendido. De compreender com sua sabedoria, competência e habilidades logrou êxito nos objetivos propostos.

Portanto, saber perder, saber ouvir o silêncio, saber o gosto do desprezo, saber compreender a exclusão e o descarte são fundamentais para o crescimento pessoal. A maturidade que muitos atestam vir com a idade ou a vivência pode ser menos dolorosa se aprendida pela observação. A transmissão de uma geração para a outra pode dar um ganho exponencial e a multiplicação de patrimônio. Infelizmente, quem não sabe conviver com a perda, dificilmente será satisfeito com o gosto da vitória. Pois, este gosto nunca foi devidamente produzido.